Hoje me entreguei à saudade que sinto de você.
Hoje não desviei meu pensamento, não meditei, nem rezei, tampouco chorei... não disfarcei, não me distrai, não ocultei nem joguei num canto meu sentimento, não fingi que te esqueci.
Hoje me entreguei à saudade que sinto de ti.
Reli as cartas que te escrevi e nunca entreguei, fiz uma fogueira e as queimei. Por alguns instantes até pensei em entregá-las, mas o fogo foi mesmo o melhor lugar para deixá-las. Por que no fundo eram só palavras, palavras que jamais seriam por mais que puras, a tradução da minha desventura, que nunca seriam por mais que duras, a tradução da dor de amar sem ter amor
Palavras que também não mostrariam por mais que doces, a verdadeira poesia nelas escondida.
Aquelas folhas que queimei ali, agora são só as cinzas do fim de um dia cheio de sol que hoje em mim é só a chuva rompendo a aurora de mais um dia que nasce e finda dentro de mim.
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